Thursday, December 21, 2006

saudade de pegar a caneta
rabiscar desenhos e uns versos
esquecer das uvas do outono
e molhar os dedos em acordes.

tardes mornas de fim de dezembro
fina seda que cobre meu pensamento
lembro.

mais do bronze de outrora
do teu cabelo no ralo do banheiro.

menos das esporas dos teus beijos
na lassidão dos teus abraços.

Monday, December 18, 2006

alguém tem um mistério de quarto grau pra contar?

A Marina era a menina mais bonita da escola. Devia morar numa terra de cegos pra cortar o rosto daquele jeito com um caco de vidro. O fato é que um dia chegou na aula com um sorriso de pontos pela bochecha. Mistério do primeiro grau. O João uma vez arrumou uma namorada, a Aninha. Toda pequena e magrinha, parecia frágil como cristal. Ele dizia que tinha medo de quebrá-la num abraço mais forte. Estranho ainda entender como o João arrebentou o freio do pau numa foda com a Aninha. O fato é que ele chegou no hospital com uma toalha ensanguentada cobrindo a virilha e teve que ficar três meses sem trepar. A Aninha sumiu, dizem que fugiu com um caminhoneiro. Mistério do segundo grau. A professora de literatura brasileira começa a aula pontualmente às 7:40 da manhã. Uma velhinha de maleta e sombrinha, uma vovozinha mesmo. Engraçado que ela começa a aula sóbria e termina bêbada. Deve levar vodka na garrafinha de Ouro Fino. Mistério da faculdade.

Wednesday, December 13, 2006

O que eu posso fazer se você não sabe fazer samba?
Escrevi milhões de versos mas você não vê
Que a música é outra, bem, que o ritmo é outro
E seguimos assim, eu faço samba, e você faz m...!

O que eu posso fazer se você não sabe fazer samba?
Minha estrela trepida, amor, ah, você não cansa
De achar que o que eu faço é pop, não! é samba!
De achar que o que eu faço é pop, não! é samba!

Saturday, December 09, 2006

o que não parte, embrulha

não tenho coração, tenho estômago.

Tuesday, December 05, 2006

já não sei se

you get what you want but not what you need...
ou
you get what you need but not what you want...

Friday, December 01, 2006

Cheguei em casa com a cabeça raspada, a mãe não entendeu. Sujo, acabado. Quatrocentos e setenta reais mais rico, mas só queria dormir. Na noite anterior, surrupiaram-me o isqueiro. Tinha alguns fósforos, é verdade, mas eram inúteis naquela ventania. Diga, sou incompetente. Já me arrependia amargamente daqueles últimos cigarros que comprara. Era manhã já, e eu não tinha um puto no bolso. Precisava voltar pra casa. Comer, dormir. Dizer 'oi' pra mãe. Essas coisas. Era uma caminhada desanimadora. E eu não tinha um puto no bolso porque havia comprado aqueles últimos cigarros. Janeiro, sabe. Época de sair resultado de vestibular. Resolvi tirar um tênis e pedir uma grana pros motoristas. Aquela coisa de trote. Consegui cinco reais do primeiro que parou no sinal. Mais dez, depois de alguns minutos. E logo consegui um montante admirável. Até que me juntaram num canto, me fizeram festa, me quebraram ovos e me cortaram o cabelo. Diabos, pensei. Acendi um cigarro e fui andando pra casa.