Wednesday, October 25, 2006

e então o sol

nada manso pr'aquela hora da manhã venceu os prédios e árvores e inundou o piso de cimento do açougue, onde um cachorro repousava satisfeito. E naquela hora eu quis ser o cachorro, quis ser o sol, quis ser o açougueiro brandindo seu cutelo afiado ao som de Beethoven.

Tuesday, October 24, 2006

Como se eu carregasse uma sombra

vi nas carrancas de todos na praça um pouco da minha preocupação.

Monday, October 23, 2006

um mimo

Sombrinha amarela
(Anatole Klapouch / PL)

INTRO: Bbm C Db Dº Eb
Ab Eb Db Ab

moça da sombrinha, da sombrinha amarela
que atravessa a avenida principal
Fm Cm Bb7 Eb
se eu pudesse te seguia com uma banda marcial (pausa com marchinha...)

moça que se esconde, que se esconde desse céu
que passa pela praça, pela praça do farol
se eu pudesse, se eu pudesse, eu apagava esse sol
--
Bbm C Db Eb
vê se esse teu medo louco, doce se desfaz
vê se esse orgulho tolo é coisa que se faz
Bbm C Db Dº Eb
vê se esse teu medo é medo ou é você que é incapaz
--
moça da sombrinha, da sombrinha amarela
desce a rua da igrejinha, e sobe a da estação
vai dizer adeus pra quem? quem é que parte desse chão?

olha bem pr'aquele trem, o trem que vai embora

pra quem você olha? pra quem você olha?
se eu pudesse eu te comprava uma passagem pra Astorga.
--
Bbm C Db Eb
vê se esse teu medo louco, doce se desfaz
vê se esse orgulho tolo é coisa que se faz
Bbm C Db Dº Eb
vê se esse teu medo é medo ou é você que é incapaz

Bbm C Db Eb
vê se te decide, nega, e tira esse cartaz!
vê se eu tenho cara de quem vai sempre atrás
Bbm C Db Dº Eb
vê se esse teu medo é medo ou é você que é incapaz

Sunday, October 22, 2006

o verde

- E daí, cara, o que foi?
- Meu, a mina ficou toda apopléctica!
- Bom, depois do que você fez!
- Você também vai ficar de cataclismo em copinho d'água?
- Mas, cara, foi sísmico!
- Vocês falam como se fosse um homicídio qualificado!
- E não foi?

sabe...

... eu tenho um ipê atrás do museu do olho que deixa um tapete roxo no gramado nessa época do ano. Eu tenho um tapete roxo atrás do museu do olho onde eu me sentava quando estava triste em outras épocas de outros anos. Eu tenho punhados de flores roxas do passado e uma nova florada de tristezas, e penso em procurar de volta aquele meu ipê.
- Você não foi pra casa ainda, menina?