Friday, December 01, 2006

Cheguei em casa com a cabeça raspada, a mãe não entendeu. Sujo, acabado. Quatrocentos e setenta reais mais rico, mas só queria dormir. Na noite anterior, surrupiaram-me o isqueiro. Tinha alguns fósforos, é verdade, mas eram inúteis naquela ventania. Diga, sou incompetente. Já me arrependia amargamente daqueles últimos cigarros que comprara. Era manhã já, e eu não tinha um puto no bolso. Precisava voltar pra casa. Comer, dormir. Dizer 'oi' pra mãe. Essas coisas. Era uma caminhada desanimadora. E eu não tinha um puto no bolso porque havia comprado aqueles últimos cigarros. Janeiro, sabe. Época de sair resultado de vestibular. Resolvi tirar um tênis e pedir uma grana pros motoristas. Aquela coisa de trote. Consegui cinco reais do primeiro que parou no sinal. Mais dez, depois de alguns minutos. E logo consegui um montante admirável. Até que me juntaram num canto, me fizeram festa, me quebraram ovos e me cortaram o cabelo. Diabos, pensei. Acendi um cigarro e fui andando pra casa.

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