Tuesday, January 30, 2007

nexus, melhor companhia

"Nem mesmo uma passagem à Europa significava muita coisa, agora, para mim. No momento, não tinha necessidade da Europa. Gostoso sonhar com ela, falar dela, pensar nela. Mas era bom estar onde estava. Sentar-me todos os dias e datilografar algumas páginas, ler os livros que queria ler, ouvir a música por que ansiava, dar uma volta, ver um espetáculo artístico, fumar um charuto quando tivesse vontade - que mais poderia pedir?"
Sexta-feira de tédio na chácara. Meia-noite, todos dormem. Injuriada, levanto-me, acendo a luz e um cigarro, e penso em cinco palavrões diferentes. Abro uma cerveja e me ajeito para o Henry Miller. Páginas ótimas, ponto alto do meu final de semana isolado. Veja isso:
"Todos os dias exigimos tormento novo. Quanto mais nos coçamos e arranhamos, melhor nos sentimos. E quando nossos leitores também começam a se coçar e arranhar, nos sentimos sublimes."
Duas cervejas depois eu começo a ficar sonolenta, e resolvo me juntar aos dorminhocos. Assim que apago a luz, eles se levantam. Seus bizarros!

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